quinta-feira, 18 de maio de 2017

FIM DOS CONDOMINIOS HORIZONTAIS DA REGIÃO DE SOBRADINHO


Os moradores dos residenciais da região de Sobradinho estão preocupados com o fim dos condomínios horizontais. Segundo o presidente da Associação de Moradores (AMGC), Carlos Cardoso, “o sonho de segurança, de qualidade de vida, construído a duras penas, agora está virando fumaça. Tudo isso porque os moradores estão sendo ludibriados”.
Lideranças que participam do Movimento em Defesa dos Condomínios explicam que a chamada regularização de condomínios é um grande engodo. Os parcelamentos estão sendo transformados em loteamentos abertos, sem muros, sem guaritas, e sem a qualidade de vida que é custeada pelos próprios moradores.


Segundo o presidente da AMGC, o maior problema é a falta de informação dos moradores, que estão aderindo a proposta da empresa, atual proprietária da área. Ele explica que no modelo atual de regularização que estão promovendo, os residenciais não estão sendo regularizados como condomínios, e sim como loteamentos abertos, sem muros e portarias, onde todas as ruas do loteamento serão ligadas as vias públicas principais do bairro.

Outro problema apontado pelas lideranças, é a perda das áreas comuns, parques, praças, quadras esportivas e estruturas de uso comum. “No acordo, o morador adquire apenas a área do lote, paga pela segunda vez. As áreas comuns, onde que foram construídas com recursos dos moradores são transformadas em áreas públicas e doada pela empresa ao Governo. E, pior. A portaria passa a ser ilegal. A cobrança de taxas condominiais utilizadas para pagamento dos serviços oferecidos pelo condomínio passa a ser questionável, uma vez que a responsabilidade de manutenção de bens e estruturas públicas é privativa do Estado. Em muitos condomínios, temos notícias de que já há pessoas de loteamentos abertos buscando na Justiça o não pagamento das taxas condominiais.

Carlos Cardoso também explica a ameaça que os moradores dos diversos condomínios do bairro estão sofrendo. “Quem não aderir ao acordo agora, pagará mais caro no futuro. Isso é um blefe. Quando a empresa surgiu, o valor proposto era 50% do valor de mercado do lote. Como ninguém aceitou os valores foram sendo flexibilizados de acordo com a disposição do freguês e o envolvimento da administração do condomínio”, explica, lembrando que existe um litígio estabelecido, pois paira sobre a empresa suspeitas sobre as condições de aquisição da área, inclusive de que o primeiro vendedor faça parte do quadro de sócios anônimos da empresa.

Com relação a valorização do imóvel, advinda com a escrituração, síndicos explicam que já dá para perceber que os loteamentos regularizados não tiveram a tão sonhada valorização. “Quando fizerem a integração viária e retirarem os muros e portarias haverá uma grande desvalorização, que poderá ultrapassar os 30%, devido a grande oferta de pessoas que tentarão sair do bairro”, esclarece.

O representante da associação de moradores enfatiza duas informações, que no seu entendimento não estão sendo consideradas. Uma é que vários moradores estão ganhando as ações de usucapião, pois a Justiça está reconhecendo os direitos dos moradores e não haverá nenhum pagamento a empresa. A informação é quanto as novidades jurídicas que reforçam a possibilidade de regularizar os parcelamentos como condomínio fechado. “Já tivemos uma lei para novos condomínios fechados, julgada como constitucional. Pode-se editar uma outra lei mais abrangente que permita a regularização dos parcelamentos já existentes”, disse, lembrando que está em discussão na Câmara dos Deputados a MP-759 do Governo Federal que trata de regularização fundiária. Ele lembra ainda que os que já foram regularizados como loteamentos abertos não terão como modificar essa condição.

Para Carlos Cardoso e diversos outros síndicos, o que está em jogo é a qualidade de vida das famílias que apostaram nos condomínios.

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